O repórter cinematográfico como centro das atenções

Os escritos presentes neste blog foram apenas um pontapé inicial de um TCC (Trabalho de Conclusão de Curso) de um grupo da turma de Jornalismo 2013 do Centro Universitário Fieo – UNIFIEO.

A partir desses textos e da leitura de livros teóricos como “A notícia na TV: o dia a dia de quem faz telejornalismo” de Olga Curado, “Telejornalismo no Brasil: um perfil editorial” de Guilherme Jorge de Rezende, “Profissão jornalista de tv: telejornalismo aplicado na era digital” de Regina Villela e “A sociedade do telejornalismo” de Alfredo Vizeu, conseguimos conteúdo suficiente para dar início ao nosso produto: uma videorreportagem que mostra o repórter cinematográfico durante a sua atuação nas matérias.

Foram sete entrevistados que mostraram sua visão sobre a profissão e a função jornalística exercida, além de questionamentos sobre o reconhecimento da profissão junto à um representante do Sindicato do Jornalistas do Estado de São Paulo, e o acompanhamento do nosso grupo em um dia de trabalho de uma repórter cinematográfica da rede Record.

Segue o link da videorreportagem “Além do que se vê: o trabalho do repórter cinematográfico”, para os interessados: https://www.youtube.com/watch?v=Sd_SXIHVRpw

A reprodução foi autorizada pelos próprios entrevistados que assinaram o termo de uso de imagem utilizado pela própria instituição de ensino para trabalhos acadêmicos.

Do cinema para a televisão: como o repórter cinematográfico se consolidou no meio jornalístico

O repórter cinematográfico nem sempre foi chamado assim. Essa profissão é o resultado de toda uma trajetória que começou com o cinema documental de Dziga Vertov, chegou ao Brasil com o nome de Cinema Verdade que acrescentado ao mundo televisivo resultou no telejornalismo que apresentamos hoje.

No início da carreira, este profissional é chamado de cinegrafista. Ele filma quaisquer situações, seja em local interno ou externo, trabalhando principalmente com as grandes produções cinematográficas.

Com a vinda do cinema documental, o cinegrafista se destaca durante as produções e passa a ter um papel mais importante nas filmagens, é o que se chamou de Cinema Verdade. Nos anos de 1970, quando esse tipo de cinema chega ao Brasil atraindo os jovens profissionais do audiovisual, as estratégias até então usadas apenas em grandes produções passam a fazer parte também do meio televisivo.

O movimento ganha força em 1980, na TV Gazeta com o programa “Câmera Aberta” que coloca os repórteres nas ruas com uma câmera a fim de que produzam as matérias jornalísticas, assim surgem os “repórteres-abelhas”, que podem ser considerados os precursores da profissão do repórter cinematográfico.

Essa primeira aparição no meio jornalístico irá garantir maior valorização da qualidade da imagem utilizada nas gravações externas. E programas como “Globo Repórter” e “Profissão: Repórter” além de ser resultado desta supervalorização da imagem, são os muitos degraus para que o repórter cinematográfico seja categorizado como um novo profissional do telejornalismo brasileiro.

infografico

Construindo a notícia no telejornalismo

Sempre que assistimos as notícias veiculadas no telejornal, ficamos tão atentos às informações que são transmitidas e nem prestamos atenção na forma como ela é apresentada para nós.

Off, passagem e sonoras, todo dia você assiste isso na televisão, mas nem sabe o que cada um deles significa no telejornalismo. Essas são as principais técnicas utilizadas durante a construção da notícia, que fazem parte do dia a dia do jornalista.

 

OFF           

O termo Off dentro do telejornalismo se refere ao momento em que o repórter passa a informação ao telespectador, mas não aparece no vídeo. Neste caso, são utilizadas as imagens que foram captadas pelo repórter cinematográfico: pessoas andando, pássaros voando, alguém correndo, enfim, todo os tipos de situações servem para ilustrar a fala do repórter durante a matéria.

 

PASSAGEM

É a hora em que o repórter aparece na reportagem, geralmente para dar as informações mais relevantes da matéria e também serve como “prova” de que ele esteve no local onde ocorreu o fato.

 

SONORAS

Este acontece quando a reportagem dá voz às pessoas envolvidas diretamente ao acontecimento ou que podem acrescentar informações importantes para o entendimento do ocorrido. Normalmente são utilizadas falas curtas que ajudam a dar mais credibilidade à notícia, e em alguns casos a sonora serve de complementação ao off.

 

Vale lembrar que estes procedimentos são realizados por diversas vezes durante a produção de cada uma das matérias, com o objetivo deixar a matéria rica em informações sem torná-la longa.

Como participar de uma grande equipe de televisão

No meio televisivo, o trabalho em equipe é essencial. Seja para realizar reportagens, passar os textos aos repórteres, montar a matéria de última hora, sempre é preciso de no mínimo três pessoas para fazer tais tarefas.

As reportagens, por exemplo, precisam ter em sua equipe: o repórter, o repórter cinematográfico e o assistente de iluminação. E cada um auxilia o trabalho do outro, sempre buscando os melhores ângulos de gravação, os especialistas no assunto noticiado, pessoas que passem informações confiáveis.

Por isso é importante que além de trabalharem juntos, exista certa harmonia no grupo, desde o momento em que a pauta é apresentada para a equipe.  Porque este é o momento em que a matéria começa a ganhar forma, e caso ocorra qualquer divergência, toda a produção será prejudicada.

A Câmera como instrumento de trabalho

São muitas as profissões que utilizam a câmera como um de seus instrumentos de seu trabalho, e uma delas é a do repórter cinematográfico. Sendo decorrente de outras profissões advindas tanto do cinema como da televisão, é normal que se confunda esta profissão com outras que possuam a câmera como equipamento.

A que mais se assemelha ao repórter cinematográfico por conta do uso da câmera é o operador de câmera. Esta profissão aparece na transição do cinegrafista para o repórter cinematográfico, quando se muda o ambiente de trabalho: do cinema para a televisão.

 créditos: blog família nx zero

Luciano Hulk vira operador de câmera do programa. 

Esse profissional trabalha apenas em gravações internas, sendo geralmente os estúdios e cenários seu ambiente de trabalho. Para ser um operador de câmera não é necessário ter conhecimentos jornalísticos e sim apenas um curso técnico sobre o uso da câmera e as técnicas que envolvem a gravação como luz e sombra e a qualidade do som.

O cinegrafista atua apenas com as produções cinematográficas (às vezes também em documentários) e em vez de gravar, ele filma. O termo ‘gravar’ é usado apenas no meio televisivo e quando se usa a câmera para registrar um curta ou longa metragem, o termo usado é ‘filmar’.

créditos: site de notícias ego.globo.com;  Gravação de cena filme “Encontro Explosivo”.

Para isso é preciso realizar a graduação em cinema e ter plenos conhecimentos do uso de câmera e as técnicas necessárias para seguir o roteiro planejado pelo diretor de filmagem.

Já o repórter cinematográfico sendo resultado da diferença entre estas duas profissões, precisa utilizar dos conhecimentos cinematográficos e jornalísticos para auxiliar na produção das tomadas externas nas matérias televisivas. Junto do repórter e de um ajudante de produção, eles vão atrás das imagens  dos acontecimentos para a melhor compreensão da reportagem transmitida aos telespectadores.

O Jornalismo como ascensão do repórter cinematográfico

O repórter cinematográfico nem sempre foi chamado assim, antes do reconhecimento jornalístico, o profissional trilhou pelos holofotes do cinema documental.

Foi Dziga Vertov quem deu início ao cinema documental, com o método do “cine-olho” que valorizava mais os bastidores da produção do que o roteiro, valorizando a captação de imagens do cinegrafista ou “câmera man”.

Mas o profissional ganha maior destaque na mudança de sua atuação, do cinema para a televisão em 1970. E utilizando dos recursos cinematográficos, ele passa a ser requisitado para realizar gravações de programas e telejornais. Naquele momento o cinegrafista poderia ser confundido com o operador de câmera, porém ambas são profissões distintas.

Em 1980, na TV Gazeta com a produção do programa “Câmera Aberta” surge um novo método de fazer jornalismo, foi quando a profissão do repórter cinematográfico começa a se consolidar no meio jornalístico. E o profissional passou a ser requisitado para gravar cenas externas para os telejornais diários.